Dólar recua com dados mais fracos dos EUA, enquanto o iene testa suporte de intervenção
O dólar iniciou a segunda-feira sob pressão, após vendas no varejo mais fracas nos Estados Unidos reforçarem os sinais de arrefecimento já vindos dos dados de emprego e inflação. O Índice Dólar (DXY) estava em 99,57, em queda de 0,10%, enquanto o EUR/USD cotava a 1,1580, alta de 0,06%, e o USD/JPY estava em 159,09, baixa de 0,13%, nas referências do início da sessão asiática.
A nova divulgação do PIB japonês do segundo trimestre ofereceu apenas suporte limitado ao iene, mantendo o diferencial de juros e a credibilidade de intervenções anteriores como as principais forças em torno do USD/JPY. A divulgação dos dados de atividade da China de julho estava prevista para as 23h de domingo, no horário de Brasília, mas as páginas oficiais ainda não haviam publicado os números até as 23h04. Por isso, este relatório não utiliza dados de atividade chinesa. Os próximos testes incluem a inflação canadense, o mercado de trabalho do Reino Unido, indicadores de atividade dos EUA e a ata da reunião de julho do FOMC.
Situação atual do mercado de câmbio
A sessão asiática inicial prolongou a leve fraqueza do dólar observada na sexta-feira, sem configurar uma ruptura relevante. Às 21h03 de domingo, no horário de Brasília, a leitura atrasada do DXY estava em 99,57, ante 99,67 no fechamento anterior. O EUR/USD estava em 1,1580 às 22h40 de domingo, e o USD/JPY, em 159,09 às 22h36.
A libra esterlina e o dólar australiano também avançaram ligeiramente: o GBP/USD estava em 1,3546, alta de 0,08%, e o AUD/USD, em 0,7090, ganho de 0,07%.
As cotações têm horários distintos e são atrasadas; portanto, o conjunto indica uma direção de mercado, e não uma fotografia sincronizada e executável. Uma atualização do Wall Street Journal Asia às 21h52 de domingo, no horário de Brasília, também descreveu moedas regionais ligeiramente mais fortes ante o dólar, à medida que diminuíam as expectativas de uma alta de juros do Fed em setembro. O movimento foi ordenado: o dólar enfraqueceu, mas o avanço limitado do iene não eliminou seu desempenho inferior mais amplo.
Dados mais fracos dos EUA pressionam o dólar
O principal fator imediato de pressão sobre o dólar é o acúmulo de divulgações oficiais mais fracas nos EUA. As vendas no varejo de julho caíram 0,6% em relação a junho. O emprego em folhas de pagamento recuou 23.000 postos em julho, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1%.
O CPI cheio subiu 0,1% na comparação mensal e 3,4% em relação a um ano antes. O núcleo do CPI avançou 0,2% e 2,5%, respectivamente. Os preços ao produtor permaneceram inalterados no mês, embora o indicador que exclui alimentos, energia e serviços comerciais tenha aumentado 0,4%.
Esse conjunto de dados enfraquece o argumento para uma alta iminente de juros, sem eliminar o risco inflacionário. O Federal Reserve (Fed) manteve a faixa-alvo dos Fed funds em 3,50%–3,75% em 29 de julho, mas a votação de 9 a 3 incluiu três dissidências favoráveis a uma elevação de 25 pontos-base. A divergência é relevante: os indicadores sensíveis ao crescimento estão perdendo força, mas o comitê não está uniformemente confortável com as perspectivas de inflação.
Iene tem suporte limitado após PIB japonês
A primeira estimativa do Japão mostrou crescimento de 0,3% do PIB real no segundo trimestre, na comparação trimestral, ou 1,1% em taxa anualizada. A composição, porém, foi menos favorável do que sugere o dado cheio: a demanda doméstica subtraiu 0,2 ponto percentual, o consumo das famílias caiu 0,1% e o investimento empresarial recuou 1,2%, enquanto as exportações líquidas contribuíram com 0,5 ponto percentual.
O Banco do Japão (BoJ) já havia mantido sua taxa overnight em torno de 1,0% em 31 de julho, em uma votação de 8 a 1. O voto divergente defendia uma taxa de 1,25%. Essa postura gradualista deixa o iene exposto ao diferencial de juros entre Estados Unidos e Japão.
A Reuters informou em 3 de agosto que Japão e Estados Unidos confirmaram uma rara intervenção conjunta de compra de ienes. No entanto, o Ministério das Finanças do Japão ainda não publicou o valor total das intervenções na atual janela de divulgação, de modo que nenhum montante pode ser verificado.
A pressão subjacente também aparece além do USD/JPY. As taxas de referência do BCE mostram o EUR/JPY subindo de 180,73 em 3 de agosto para 183,93 em 14 de agosto.
Euro e moedas asiáticas registram ganhos moderados
O leve avanço do euro é compatível com um dólar mais fraco, e não com um novo choque relacionado ao Banco Central Europeu (BCE). O BCE manteve as taxas de depósito, de refinanciamento principal e de empréstimo marginal em 2,25%, 2,40% e 2,65%, respectivamente, em 23 de julho.
A taxa de referência do EUR/USD do BCE passou apenas de 1,1535 em 3 de agosto para 1,1567 em 14 de agosto, destacando o caráter moderado do movimento recente.
As moedas asiáticas também receberam algum suporte da redução das expectativas de aperto monetário pelo Fed. Ainda assim, a cotação do dólar australiano antecedeu a divulgação programada dos dados chineses de atividade de julho. Como os índices oficiais de divulgação em chinês e em inglês permaneciam inalterados até o horário de corte, este relatório não substitui o resultado ausente por previsões ou números do mês anterior.
Análise do mercado de câmbio
Debate sobre o Fed permanece em aberto
O MUFG avalia que os dados mais fracos de emprego, salários e vendas no varejo dão ao Fed maior margem para manter os juros em setembro e deixam o dólar vulnerável no curto prazo.
O ING também vê espaço para uma alta moderada do EUR/USD e estimou o valor justo de curto prazo entre 1,1600 e 1,1650. A instituição ressalvou, porém, que uma ruptura mais clara acima de 1,1600 pode exigir uma comunicação mais dovish do Fed.
O risco na direção oposta é explicitado na própria análise do MUFG: baixa volatilidade, demanda por operações de carry trade e fluxos para ações dos EUA ainda podem sustentar o dólar, mesmo diante de um impulso mais fraco dos dados.
Diferencial de juros e intervenção seguem centrais para o iene
O ING vê espaço para o USD/JPY abaixo de 158 caso o Fed mantenha os juros inalterados em setembro. Já o Westpac argumenta que, sem uma nova intervenção, um movimento próximo de 160 é mais plausível do que um retorno a 165 em um futuro previsível.
As duas avaliações indicam que a intervenção, isoladamente, dificilmente resolverá o debate sobre o iene. As expectativas para os juros nos EUA e a política do BoJ continuam decisivas para uma direção mais duradoura.
O Westpac também aponta a redução da superioridade econômica dos EUA e a pressão fiscal como fatores contrários ao dólar no prazo mais longo, complementando a visão mais tática do ING para o euro.
Agenda pode testar o equilíbrio atual
A narrativa de curto prazo favorece um dólar mais fraco, mas não em movimento unidirecional. Vendas no varejo e emprego mais fracos reduzem a urgência de outra alta de juros pelo Fed, enquanto as três dissidências no FOMC e os preços ao produtor subjacentes mais firmes preservam um argumento hawkish.
Para o iene, o risco de intervenção pode provocar movimentos abruptos, mas a direção persistente seguirá dependendo do diferencial de juros e de uma eventual mudança no gradualismo do BoJ.
A agenda pode testar rapidamente esse equilíbrio. O CPI de julho do Canadá será divulgado mais tarde na segunda-feira; dados do mercado de trabalho do Reino Unido, preços de importação e produção industrial dos EUA serão publicados na terça-feira; a ata do FOMC de julho será divulgada na quarta-feira; as taxas preferenciais de empréstimo da China são esperadas para quinta-feira; e o CPI japonês de julho está programado para sexta-feira. A divulgação atrasada dos dados de atividade da China acrescenta uma incerteza de curto prazo até que uma publicação oficial se torne disponível.
Gráficos em destaque do mercado de câmbio
A série do BCE mostra o euro ligeiramente mais alto ante o dólar, mas uma alta muito mais clara do EUR/JPY até 14 de agosto. O contraste sustenta a avaliação de que a fraqueza mais ampla do dólar não se traduziu automaticamente em fortalecimento duradouro do iene. As observações são taxas de referência oficiais diárias, e não preços de negociação intradiários.
O conjunto de dados dos EUA é misto, e não uniformemente fraco: a inflação cheia e os preços ao produtor foram contidos, as medidas de núcleo mostraram maior firmeza, e as vendas no varejo e as folhas de pagamento recuaram. Essa combinação explica tanto o tom mais fraco do dólar quanto a divergência persistente dentro do Fed.
Conclusão
A narrativa de curto prazo favorece um dólar mais fraco, mas não em movimento unidirecional. Vendas no varejo e emprego mais fracos reduzem a urgência de outra alta de juros pelo Fed, enquanto as três dissidências no FOMC e os preços ao produtor subjacentes mais firmes preservam um argumento hawkish.
Para o iene, o risco de intervenção pode provocar movimentos abruptos, mas a direção persistente seguirá dependendo do diferencial de juros e de uma eventual mudança no gradualismo do BoJ.
A agenda pode testar rapidamente esse equilíbrio. O CPI de julho do Canadá será divulgado mais tarde na segunda-feira; dados do mercado de trabalho do Reino Unido, preços de importação e produção industrial dos EUA serão publicados na terça-feira; a ata do FOMC de julho será divulgada na quarta-feira; as taxas preferenciais de empréstimo da China são esperadas para quinta-feira; e o CPI japonês de julho está programado para sexta-feira. A divulgação atrasada dos dados de atividade da China acrescenta uma incerteza de curto prazo até que uma publicação oficial se torne disponível.
Fontes
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Divulgações oficiais dos EUA: Federal Reserve, CPI, PPI, emprego e vendas no varejo.
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Divulgações oficiais do Japão: PIB do Cabinet Office, Banco do Japão e cronograma de intervenções do Ministério das Finanças.
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Banco Central Europeu: decisão de política monetária e taxas de referência do euro.
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Reportagens de mercado: Reuters sobre a intervenção conjunta em ienes e atualização cambial do Wall Street Journal Asia.
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Calendários oficiais de divulgação: Statistics Canada, ONS, BLS, Federal Reserve, ChinaMoney e Statistics Bureau of Japan.
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