Petróleo avança com incerteza em Hormuz, apesar de estoques dos EUA e demanda chinesa fraca

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Sumário

O petróleo bruto ampliou os ganhos no início da sessão asiática de quarta-feira, com a incerteza sobre as exportações pelo Estreito de Hormuz superando a pressão de uma forte alta dos estoques nos Estados Unidos e do fraco processamento de petróleo bruto nas refinarias chinesas. Dados com atraso da CME mostravam, às 22h27 de terça-feira, 18 de agosto, no horário de Brasília, os contratos futuros de WTI para outubro de 2026 a US$ 84,93 por barril. Dados também com atraso da ICE indicavam o Brent para outubro de 2026 a US$ 91,90 por barril às 22h26.

A Reuters informou que os futuros próximos de WTI e Brent avançavam às 21h04 de 18 de agosto, no horário de Brasília, registrando a quarta sessão consecutiva de ganhos. O suporte imediato veio de mensagens divergentes dos Estados Unidos e do Irã sobre a abertura do estreito à navegação. A principal tensão do mercado permanece clara: o risco para a oferta física sustenta um prêmio nos contratos de curto prazo, enquanto os estoques norte-americanos e a demanda das refinarias asiáticas limitam uma alta sem freios.

Situação atual do mercado de petróleo

WTI e Brent mantêm firmeza nos vencimentos próximos

Os dados das bolsas mostraram uma curva fortemente descendente nos seis primeiros contratos analisados. O WTI recuou de US$ 84,93 para outubro de 2026 para US$ 77,87 em março de 2027, enquanto o Brent caiu de US$ 91,90 para US$ 83,48 no mesmo intervalo de entrega.

Essa estrutura em backwardation é compatível com um mercado que atribui maior valor aos barris de entrega mais próxima. A curva, porém, não permite identificar isoladamente quanto desse prêmio decorre de riscos ao transporte marítimo, de aperto nos estoques ou de outros fatores.

A mais recente reportagem da Reuters reforçou a direção positiva de curto prazo, sem alterar os preços de referência das bolsas. Às 21h04 de 18 de agosto, no horário de Brasília, a agência apontava alta de US$ 0,26 nos futuros próximos de Brent, para US$ 91,28, e avanço de US$ 0,37 no WTI, para US$ 85,31. Como a Reuters não especificou os meses de vencimento, essas cotações sincronizadas servem principalmente como indicação de direção, e não como substitutas dos dados contratuais da CME e da ICE.

Estoques de petróleo bruto dos EUA enviam sinal contrário

Os dados mais recentes disponíveis da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), referentes à semana encerrada em 7 de agosto, mostraram que os estoques comerciais de petróleo bruto, excluindo a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (SPR), aumentaram 17,422 milhões de barris, para 424,410 milhões de barris. Os estoques em Cushing cresceram 1,611 milhão de barris, para 22,566 milhões.

A próxima divulgação oficial semanal estava prevista para mais tarde em 19 de agosto, tornando uma confirmação ou reversão dessa alta um teste importante para o mercado no curto prazo.

O aumento dos estoques representa um contraponto baixista ao prêmio geopolítico. Ainda assim, não elimina a preocupação mais ampla com os barris comercializados internacionalmente: a projeção de agosto da EIA prevê que os estoques comerciais de petróleo bruto dos EUA permaneçam abaixo da mínima de cinco anos observada entre 2021 e 2025 até o fim de 2026.

Análise do mercado de petróleo

Risco em Hormuz continua dominante no mercado de curto prazo

A mais recente atualização da Reuters informou que os operadores avaliavam declarações conflitantes de Teerã e Washington sobre a abertura do Estreito de Hormuz. Essa incerteza é relevante porque o mercado precisa de evidências de carregamentos sustentados e de passagem segura de navios — e não apenas de declarações diplomáticas — antes de retirar uma parcela significativa do prêmio de risco sobre a oferta.

O cenário da EIA em seu Short-Term Energy Outlook de agosto pressupõe que severas restrições ao trânsito persistam durante agosto. A agência espera que a maior parte da produção regional de petróleo bruto volte para níveis próximos às médias anteriores ao conflito no início de 2027, mas ainda projeta interrupções de cerca de 0,6 milhão de barris por dia até o fim de 2027. Nesse cenário, a EIA prevê o petróleo Brent à vista próximo de US$ 85 por barril no terceiro trimestre de 2026, antes de uma média de US$ 69 em 2027, à medida que os estoques se recompõem.

A análise de embarcações da Kpler, de 31 de julho, acrescenta uma cautela importante sobre o mercado físico. A empresa constatou que a recuperação nas travessias de Hormuz relacionadas a commodities em 28 e 29 de julho não se sustentou no dia 30 e argumentou que os preços vinham respondendo mais ao noticiário geopolítico do que aos fluxos observados. A Kpler considerou realista uma alta do Brent a US$ 110 por barril enquanto a China permanecesse ausente como compradora marginal, destacando a assimetria criada por condições frágeis de navegação.

Dados de refino da China limitam a tese de demanda

O Escritório Nacional de Estatísticas da China informou que o processamento de petróleo bruto em julho pelas empresas industriais acima do porte designado caiu 15,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 53,11 milhões de toneladas. Em contraste, a produção interna de petróleo bruto da China avançou 0,8%, para 18,27 milhões de toneladas.

A queda no processamento representa uma restrição concreta do lado da demanda em um momento no qual a narrativa de oferta prevalece no mercado.

A ING Research também identifica o momento de retorno das compras chinesas como uma das maiores incertezas para o petróleo. Em seu cenário-base de 9 de julho, a instituição projetava o Brent a US$ 80 por barril no terceiro trimestre e a US$ 74 no quarto trimestre, sob a condição de que não ocorresse nova interrupção relevante nos fluxos por Hormuz. A ING também considerou um cenário mais agressivo, no qual o Brent poderia testar US$ 100 no terceiro trimestre caso as condições de oferta voltassem a se deteriorar.

Instituições divergem sobretudo sobre o ritmo da normalização

A EIA, a ING e a Kpler concordam, em linhas gerais, que a navegação pelo Golfo Pérsico continua sendo a principal variável de curto prazo. A divergência está principalmente na velocidade e na durabilidade da normalização.

A projeção da EIA de Brent a US$ 85 no terceiro trimestre pressupõe restrições severas contínuas durante agosto. O cenário-base mais baixo da ING depende de evitar uma nova interrupção relevante. Já o cenário de maior alta da Kpler reflete a possibilidade de os fluxos físicos não se recuperarem, mesmo que o noticiário diplomático se torne mais favorável.

Essa amplitude de avaliações torna o mercado especialmente sensível a evidências de alta frequência. Tráfego de navios, carregamentos efetivos para exportação e o formato da curva nos vencimentos próximos provavelmente terão mais conteúdo informativo do que alegações não verificadas sobre uma reabertura. Ao mesmo tempo, a alta dos estoques norte-americanos e o menor processamento nas refinarias chinesas mostram por que os preços poderiam recuar rapidamente caso as condições de navegação realmente melhorem.

Gráficos em destaque do mercado de petróleo

Curva do WTI mantém prêmio para entregas mais próximas

Curva de futuros do WTI de outubro de 2026 a março de 2027

A curva com dados com atraso da CME recua em cada contrato entre outubro de 2026 e março de 2027. O padrão indica um prêmio para entregas mais próximas, mas deve ser interpretado em conjunto com dados de estoques e transporte marítimo, e não como prova de uma causa única.

Curva do Brent mostra queda ainda mais acentuada

Curva de futuros do Brent de outubro de 2026 a março de 2027

A curva com dados com atraso da ICE também cai até março de 2027. A parte inicial da curva do Brent permanece particularmente elevada em relação aos contratos mais longos, em linha com a preocupação persistente sobre a disponibilidade e o transporte de petróleo bruto comercializado internacionalmente.

Conclusão

O suporte de curto prazo ao petróleo depende da incerteza contínua sobre as exportações por Hormuz, do risco de novos ataques à navegação e da ausência de uma recuperação duradoura e verificada no tráfego de embarcações. As curvas em backwardation de WTI e Brent reforçam a relevância da oferta imediata, enquanto a projeção de agosto da EIA sugere que os efeitos da interrupção podem persistir além do ciclo diplomático atual.

Os riscos de baixa também são evidentes. Os estoques comerciais de petróleo bruto dos EUA registraram uma expressiva alta semanal, o processamento chinês de julho caiu acentuadamente na comparação anual, e tanto a EIA quanto a ING esperam preços mais baixos à medida que a produção regional e os estoques se recuperem. Uma elevação sustentada dos carregamentos no Golfo reduziria o prêmio de risco justamente quando os indicadores de demanda seguem fracos.

Os próximos sinais relevantes serão a divulgação da EIA de 19 de agosto, travessias verificadas de navios e carregamentos para exportação em Hormuz, dados chineses de processamento e importação de petróleo bruto e a permanência de preços elevados na parte inicial das curvas de futuros. Até que esses indicadores se alinhem, o petróleo tende a permanecer sensível ao noticiário, com firmeza no mercado de curto prazo e risco relevante de baixa no médio prazo.

Fontes

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