Zhu Rongji, líder das reformas de mercado, morre aos 96 anos
O ex-primeiro-ministro chinês Zhu Rongji morreu no dia 12. Ele ficou conhecido por liderar reformas que corrigiram os efeitos nocivos da economia planificada e introduziram princípios de mercado.
Alta do crescimento sob seu governo
Zhu assumiu o cargo de primeiro-ministro em março de 1998. Diante de uma economia chinesa à beira de desaceleração pelo impacto da crise financeira asiática, Zhu mudou a política para uma expansão fiscal. Em 2001, viabilizou a adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC), atraindo investimento para o país e criando a base para um período de forte crescimento.
Com esse crescimento, reduziu em cerca de 40 milhões o número de trabalhadores da indústria manufatureira estatal e reorganizou os 40 ministérios centrais em 29. Também avançou no tratamento dos empréstimos inadimplentes dos quatro grandes bancos, o que ajudou a estabelecer a base para a expansão da China como a fábrica do mundo, motivo pelo qual passou a ser chamado de imperador da economia.
Os efeitos das reformas e o legado político
Por outro lado, há apontamentos de que as reformas de Zhu provocaram aumento do desemprego e ampliação da desigualdade entre ricos e pobres. Na reforma tributária que liderou como vice-primeiro-ministro, a transferência das receitas dos governos locais para o governo central aprofundou a pressão sobre as finanças regionais, segundo uma avaliação amplamente difundida. As regiões passaram a depender da venda de direitos de uso da terra, o que teria levado à expansão desordenada, à destruição ambiental e à alta dos preços dos imóveis.
Sua origem foi marcada por dificuldades. O pai já havia morrido antes de seu nascimento, e a mãe também morreu quando ele ainda era criança. Ele disse ter desenvolvido o pensamento independente em meio à adversidade. Já no ensino fundamental, era capaz de recitar o clássico Margem da Água, evidenciando uma inteligência notável desde jovem.
Em outubro de 2000, visitou o Japão e afirmou que desejava usar a história como referência para construir relações de amizade entre as futuras gerações, conclamando uma relação sino-japonesa voltada para o futuro. Em um programa da TBS, participou de um diálogo direto com cidadãos comuns e, ao final, apresentou sua especialidade, o erhu.
A reforma das estatais promovida por Zhu também segue sendo um desafio para a liderança de Xi Jinping. Em 2013, foi publicado Zhu Rongji Shanghai Jianghua Shilu, reunindo discursos da época em que comandava Xangai. No evento de lançamento, realizado no Grande Palácio do Povo, reuniram-se reformistas que haviam sido influenciados por ele. Hoje, avança a política de favorecer empresas estatais e pressionar companhias privadas, a chamada avanço das estatais e recuo do setor privado, enquanto a reforma estrutural perde fôlego.
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