Demanda de semicondutores para IA impulsiona exportações de Coreia do Sul e Taiwan, enquanto o Japão fica para trás
As exportações de janeiro a junho da Coreia do Sul e de Taiwan superaram, pela primeira vez, as do Japão. Impulsionadas pela expansão da demanda por semicondutores para inteligência artificial (IA), Coreia do Sul e Taiwan avançaram rapidamente, enquanto o Japão, embora tenha força em materiais e equipamentos ligados a semicondutores, colheu benefícios limitados. O quadro reflete a atual defasagem japonesa no fornecimento de produtos finais demandados no mundo.
Os circuitos integrados lideram
Foram analisados os dados de comércio de Japão, Coreia do Sul e Taiwan, somados aos dados da Organização de Comércio Exterior do Japão (Jetro) e da base de dados UN Comtrade da ONU, com a evolução por item convertida em dólares. A análise contou com a colaboração da Mitsubishi UFJ Research & Consulting.
Como resultado, as exportações do Japão de janeiro a junho somaram 384,4 bilhões de dólares, abaixo dos 496,3 bilhões de dólares da Coreia do Sul e dos 416,6 bilhões de dólares de Taiwan. O Japão registrou alta de menos de 10% na comparação anual, enquanto Coreia do Sul e Taiwan tiveram avanço próximo de 50%.
No pano de fundo está a expansão explosiva da demanda por semicondutores voltados à IA. Em Taiwan, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) lidera a produção de semicondutores de ponta, enquanto na Coreia do Sul essa função cabe à Samsung Electronics e à SK Hynix.
No primeiro semestre de 2026, as exportações de circuitos integrados chegaram a 149,0 bilhões de dólares na Coreia do Sul e 133,2 bilhões de dólares em Taiwan. Em ambos os países, esses itens representam cerca de 30% das exportações totais. A Coreia do Sul superou, apenas no primeiro semestre de 2026, o desempenho acumulado de 2025. O Japão somou 21,2 bilhões de dólares, equivalentes a cerca de 5% do total exportado.
Fortes em equipamentos, mas...
O Japão tem competitividade em equipamentos e materiais para fabricação de semicondutores. Tokyo Electron, Advantest e Lasertec, entre outras, têm elevadas fatias de mercado global e têm capturado a demanda de IA por meio da expansão da capacidade produtiva em vários países e regiões.
No primeiro semestre de 2026, as exportações japonesas de equipamentos para fabricação de semicondutores atingiram 15,0 bilhões de dólares, acima dos 5,2 bilhões de dólares da Coreia do Sul e dos 3,5 bilhões de dólares de Taiwan. Ainda assim, a diferença em relação à Coreia do Sul e a Taiwan, que produzem semicondutores avançados de alto valor agregado em um mercado em rápida expansão, não foi reduzida.
Keita Maruyama, da Mitsubishi UFJ Research & Consulting, aponta que 'mesmo em fases em que os países e regiões elevam suas exportações de semicondutores, é difícil que as exportações de componentes e equipamentos cresçam rapidamente'.
Estagnação estrutural
A desvalorização histórica recente do iene teve efeito de reduzir, em dólares, o valor das exportações japonesas. No entanto, o won sul-coreano e o dólar taiwanês também vinham em trajetória de leve queda ante o dólar, de modo que o fator cambial, sozinho, não explica a situação. Também não se trata apenas de uma circunstância específica do boom de IA.
O índice de volume das exportações japonesas, que exclui o efeito das variações de preço, vem andando de lado nos últimos anos, tendo como pico o período anterior à crise do Lehman Brothers. Segundo a Jetro, o valor das exportações do Japão em 2025 caiu para a sexta posição no mundo. Entre as décadas de 1970 e 1990, o país ficou em terceiro lugar, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha, incluindo a antiga Alemanha Ocidental; nos anos 2000, com a ascensão da China, passou a quarto lugar, e recentemente também foi ultrapassado pelos Países Baixos e por Hong Kong.
Desde a reconstrução do pós-guerra, o Japão se desenvolveu como uma potência comercial baseada na indústria manufatureira, fornecendo produtos cuja demanda crescia no mundo, com foco em têxteis, aço, automóveis e eletrônicos. Mas o declínio do 'Made in Japan' vem sendo apontado há muito tempo.
Na era em que grandes empresas de tecnologia disputam o avanço da IA de ponta, Coreia do Sul e Taiwan aproveitaram o momento e colheram grandes frutos. Sem traçar um novo modelo de crescimento compatível com a era digital, o Japão pode ficar ainda mais para trás tanto na indústria quanto nos serviços.
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