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Com base na promessa, Takaichi decide cortar o imposto sobre consumo e recua a cautela no partido

Takaichi decide cortar imposto sobre consumo, conforme promessa, apesar de cautela no partido

Decisão com base na promessa

A primeira-ministra Sanae Takaichi decidiu cortar o imposto sobre consumo, derrotando a cautela dentro do Partido Liberal Democrata com base na promessa de campanha para a Câmara Baixa. A intenção da premiê era encerrar o tema antes que a oposição o transformasse em ponto central do debate. Em sentido oposto à linha tradicional do partido, que desenvolveu o imposto sobre consumo como fonte de financiamento da seguridade social, o processo decisório agressivo deixou uma semente de conflito para a condução futura do governo.

Na reunião extraordinária da diretoria do partido, realizada em 30 de julho na sala de recepção do presidente na sede do Partido Liberal Democrata, a premiê citou a promessa para a eleição da Câmara Baixa diante de dirigentes como o vice-presidente Taro Aso. Disse que a redução do imposto sobre consumo 'está escrita aqui' e indicou os trechos relevantes, afirmando que o crédito tributário com benefício em dinheiro constava da página 18 e a redução de impostos por dois anos sobre alimentos e bebidas, da página 19. Ressaltou que o corte era uma promessa entre o partido e o povo, e os participantes aprovaram por unanimidade.

Nas paredes da sala de recepção do presidente estavam fotos de ex-primeiros-ministros que enfrentaram dificuldades para decidir sobre a política tributária. Havia também imagens do primeiro-ministro Masayoshi Ohira, que fracassou ao buscar introduzir um imposto geral sobre consumo, e do primeiro-ministro Noboru Takeshita, que decidiu pela introdução do imposto sobre consumo. Um dos presentes afirmou: 'Foi algo próximo de uma notificação unilateral. Não havia clima para contestação'.

Estratégia da premiê e coordenação interna

Não foi sempre que a premiê defendeu o corte de impostos de forma consistente. Na disputa pela liderança do Partido Liberal Democrata no outono de 2025, ela conteve as teses de redução para obter o apoio de Aso, que prioriza a disciplina fiscal, e, após a formação do governo, praticamente suspendeu sua posição pessoal por consideração a Aso.

A virada veio com a dissolução da Câmara Baixa em janeiro. Enquanto a oposição defendia o corte do imposto sobre consumo como medida de apoio ao custo de vida, a premiê apresentou a redução sobre alimentos como 'meu próprio desejo de longa data'. Antes da eleição, na qual o destino de cada parlamentar estava em jogo, formou-se um quadro em que o governo passou a acompanhar a oposição no tema da redução. Ainda assim, a promessa para a Câmara Baixa dizia que seriam 'acelerados os estudos para a implementação', deixando margem para cautela.

Depois disso, a coalizão governista obteve uma vitória sem precedentes, garantindo três quartos da Câmara Baixa, inclusive com o partido Nippon Ishin no Kai, e a premiê passou a agir com mais urgência, amparada no argumento de 'apoio popular'.

Aceleração com queda de aprovação

Inicialmente, a premiê imaginava consolidar o desenho do sistema antes do verão por meio da conferência suprapartidária 'Conselho Nacional de Seguridade Social', envolvendo todos os partidos para abrir caminho à implementação. A leitura era de que, se houvesse alguma responsabilidade compartilhada entre os partidos, seria mais fácil avançar a tramitação mesmo com o governo em minoria na Câmara Alta.

Mas, com a desvalorização do iene e a alta de preços avançando em meio à crise no Estreito de Ormuz, os partidos passaram a favorecer medidas de distribuição de recursos mais fáceis de executar rapidamente, e a cautela da oposição permaneceu forte. Mesmo após junho, o debate não se consolidou e a proposta travou. Em julho, as pesquisas de opinião dos veículos de imprensa mostraram enfraquecimento da aprovação do gabinete, e a inquietação aumentou dentro do gabinete do premiê.

Quem assumiu a coordenação interna foi Itsunori Onodera, nomeado pela premiê para presidir o Conselho de Pesquisa da Política Tributária. Em 16 de julho, Onodera visitou o gabinete da premiê e informou que 'o partido está dividido entre favoráveis e contrários. Não parece que vá haver consenso'. No conselho, sucederam-se posições cautelosas sobre fontes de financiamento e desenho institucional, e não havia perspectiva de convergência.

Pressão para conter a oposição

Onodera pediu a presença da premiê nas reuniões partidárias, mas ela rejeitou a ideia, dizendo que era desnecessário. Segundo ele, a premiê não cedeu e afirmou que, por se tratar de uma promessa eleitoral para a Câmara Baixa, ela seria cumprida e que ele deveria reunir o partido por conta própria. Onodera passou a buscar consenso de forma a manter a presença da premiê em mente, e nas reuniões partidárias no fim de julho explicou que 'todas as opiniões de vocês estão sendo transmitidas ao gabinete da premiê'.

Dentro do partido, cresceu a percepção de que o gabinete estava acompanhando os posicionamentos favoráveis e contrários, bem como o teor das falas, e que isso poderia influenciar a próxima disputa por cargos de direção do partido e uma reforma ministerial. A própria premiê explicou em 28 de julho a Aso e ao secretário-geral Shunichi Suzuki a linha de corte de impostos. Aso demonstrou cautela, mas não se opôs frontalmente.

Em seguida, no dia 30, a premiê instruiu os dirigentes a unificar o partido em torno de '1% a partir de abril de 2027' para viabilizar o mais cedo possível a redução do imposto sobre consumo sobre alimentos. Depois de Aso ceder, já não restava dentro do partido força suficiente para resistir firmemente à premiê.

Corte tornado fato consumado

Altos funcionários do governo e ministros próximos à premiê pediram aos parlamentares do partido que comparecessem à reunião partidária de 3 de agosto. Eles trabalharam para que houvesse manifestações favoráveis ao corte de impostos e, apesar do recesso parlamentar, muitos deputados viajaram de suas bases para Tóquio na manhã do mesmo dia. Na reunião, as manifestações de apoio à premiê se sucederam.

Após o encontro, os posicionamentos favoráveis e contrários, assim como o conteúdo das falas dos presentes, foram enviados à premiê por e-mail. O presidente do conselho de políticas, Takayuki Kobayashi, também telefonou, após a reunião partidária de 31 de julho, aos parlamentares contrários durante o fim de semana e os convenceu dizendo que 'a conclusão já está decidida'.

Embora o processo de redução de impostos tenha evidenciado a força singular de Takaichi, o cronograma da premiê também passou a incluir um aumento de impostos daqui a dois anos. Se for difícil manter a aprovação, um aumento de impostos se tornará um desafio político severo. Um ex-secretário-geral afirmou que 'se a aprovação não puder ser mantida, o aumento de impostos será um caminho árduo'.

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