Intervenção de compra de iene iniciada em 30 de julho soma 12 trilhões a 13 trilhões de ienes
Intervenção atinge maior nível histórico
A intervenção cambial de compra de ienes realizada pelo governo e pelo Banco do Japão desde 30 de julho alcançou, segundo estimativas de mercado, 12 trilhões a 13 trilhões de ienes. Há avaliação de que o total foi de 11 trilhões a 12 trilhões de ienes nos dois dias 30 e 31 de julho, e que também houve atuação em 3 de agosto. Somando cerca de 11,7 trilhões de ienes feitos do fim de abril ao fim de maio deste ano, o valor acumulado em 2026 deverá ultrapassar 20 trilhões de ienes. O montante já superou o recorde anterior de 15,3 trilhões de ienes de 2024.
A dimensão da atuação de 3 de agosto pode ser estimada a partir da projeção do saldo dos depósitos à vista no Banco do Japão que o banco central divulgou em 4 de agosto para o dia 5. Empresas de operações de curto prazo previam, para o item de 'fatores fiscais e outros' do saldo, queda de 2,32 trilhões a 2,6 trilhões de ienes caso não houvesse intervenção. Se o Banco do Japão comprar ienes no mercado, os recursos são transferidos para o Tesouro e os depósitos à vista no Banco do Japão mantidos pelas instituições financeiras privadas diminuem. A projeção divulgada em 4 de agosto apontava queda de 3,35 trilhões de ienes, e a diferença permite calcular o volume aproximado de intervenção em 3 de agosto.
Venda especulativa de ienes segue em nível elevado
A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, contiveram no dia 3 a depreciação adicional do iene e sinalizaram que 'não hesitarão em fazer novas intervenções'. No mercado, também surgem vários sinais de um enfraquecimento excessivo do iene. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC), a posição líquida vendida em ienes contra o dólar dos 'fundos alavancados', incluindo hedge funds, era de 102 mil lotes, cerca de 1,27 trilhão de ienes, em 28 de julho, antes da intervenção, próxima do pico registrado antes da intervenção unilateral do Japão em julho de 2024, de 110 mil lotes.
Na época, a intervenção provocou recompras pelos hedge funds, e o iene depois subiu mais de 20 ienes ante o dólar. Hiroshi Suzuki, estrategista-chefe de câmbio do Sumitomo Mitsui Banking, observa que, sobre a intervenção coordenada desta vez, 'quem negocia no curto prazo foi forçado a ajustar suas posições vendidas em iene'. A taxa de câmbio efetiva real atingiu em junho o menor nível desde a adoção do regime de câmbio flutuante, e muitos veem a intervenção como uma forma de ganhar tempo até a próxima medida.
Pressão de queda do iene recua no curto prazo
A intervenção desta vez, em comparação com a de abril e maio, gera cautela ainda maior no mercado por ser coordenada entre Japão e EUA. Suzuki avalia, dependendo da política monetária dos dois países e da situação no Oriente Médio, que 'talvez levem cerca de dois meses até que o mercado volte a vender ienes'.
No plano macroeconômico, o cenário de venda extrema de ienes perdeu força. A alta do petróleo motivada pela situação no Oriente Médio vem se estabilizando no curto prazo, e no futuro a redução do déficit comercial pode enfraquecer a pressão de venda de ienes e compra de dólares. O economista sênior Koya Miyamae, da SMBC Nikko Securities, estima que o déficit da balança comercial, de 2,9 trilhões de ienes em 2025, se ampliará para cerca de 5 trilhões de ienes em 2026 e voltará a encolher em 2027. Ele projeta normalização do estreito de Ormuz e aumento da produção em outras regiões com preços em queda, à medida que a produção alternativa avance.
A ampliação do chamado 'déficit digital', que surge quando serviços digitais de redes estrangeiras são usados no Japão, também vem reduzindo seu impacto. O saldo de serviços, que inclui consumo de visitantes e royalties de propriedade intelectual (IP), encolheu de um déficit de cerca de 5 trilhões de ienes nos exercícios de 2021 e 2022 para um déficit na faixa de 3 trilhões de ienes no momento. Após explicar que o quadro em que o déficit digital é compensado pelo saldo de viagens, como os gastos de turistas estrangeiros no Japão, continua e que os royalties de IP também avançam, o economista-chefe Jun Takeda, do Itochu Research Institute, disse que 'o cenário de uma expansão do déficit digital provocar a desvalorização do iene está se reduzindo'.
A pressão de compra de dólares por parte das empresas importadoras também diminuiu. Shinsuke Nakazato, assessor da sala de negociação de mercado do Resona Bank, avalia que 'nos últimos dias úteis houve uma enxurrada de compras de dólares. A compra de dólares para necessidades reais já se completou'. Com a pausa nas vendas de ienes e compras de dólares por hedge funds e importadores, 'a faixa de meados de 157 ienes por dólar tornou-se um nível neutro, menos propenso a ser puxado nem para a fraqueza nem para a força do iene', afirmou.
Agora, com o enfraquecimento do excesso de desvalorização do iene, a questão é como indicar o caminho para a consolidação fiscal do governo e para a alta de juros pelo Banco do Japão. Os participantes do mercado tentam decifrar o próximo passo das autoridades.
Se este artigo foi útil para você, compartilhe-o.