Sete empresas do grupo Toyota ampliam compras locais para se preparar para o protecionismo nos EUA e na Europa
As 7 principais empresas do grupo Toyota estão em alerta diante do fortalecimento de políticas protecionistas nos EUA e na Europa. Além do iene fraco e da alta dos preços das matérias-primas, o impacto do terremoto de Kumamoto também é difícil de prever, e as empresas indicaram em entrevistas de resultados que vão acelerar o reforço das compras locais e a revisão de seus sistemas de produção.
Preparação para mudanças de política nos EUA e na Europa
As 7 empresas divulgaram em 31 de julho os resultados consolidados do trimestre de abril a junho de 2026, segundo as normas internacionais de contabilidade, e o lucro líquido aumentou em 3 delas e caiu em 4. O diretor financeiro da Denso, Seiji Maeda, afirmou que, para reduzir o impacto das tarifas na América do Norte, a companhia vai 'fazer compras locais até o limite da capacidade produtiva', sinalizando a intenção de acelerar o aumento da taxa de compras na região.
As vendas da Toyota na América do Norte seguem firmes, mas as negociações para revisar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) também avançam. A Comissão Europeia também defende o fortalecimento da produção e das compras dentro do bloco, e as empresas veem a expansão das compras locais como fonte de competitividade para responder ao novo normal das cadeias de suprimento.
O vice-presidente da Aisin, Daisuke Kondo, disse que será necessário adotar respostas semelhantes em cada região e explicou que a empresa está analisando internamente, de forma concreta, uma ampliação da produção local e das compras nos EUA. A JTEKT também está avançando na melhora da rentabilidade de seus negócios nos EUA, enquanto o CFO Kazuyuki Kamiya afirmou que vai 'promover firmemente as compras locais'. O vice-presidente da Toyota Tsusho, Hideyuki Iwamoto, afirmou que, embora a produção esteja voltando para os EUA, inclusive no caso da Toyota, a empresa tem como vantagem a capacidade de responder a mudanças como as da logística.
Alta das matérias-primas e desaceleração dos negócios na China
A elevação dos preços das matérias-primas também pesa. A Toyota Gosei observou aumentos de preços em itens ligados à nafta, como produtos de resina, e o CFO Masayoshi Hachisuka disse que os efeitos começaram a aparecer a partir do primeiro trimestre e que, a partir do segundo, o impacto será maior, especialmente no mercado dos EUA. Os itens que puderem ser substituídos serão atendidos com a mudança de fornecedores.
A Aichi Steel revisou para um iene mais fraco sua taxa de câmbio presumida para o ano fiscal, de 1 dólar = 155 ienes para 160 ienes. Como a participação das vendas no exterior da empresa é relativamente baixa, o iene fraco se torna um fator de queda do lucro ao elevar os custos de compras. A alta dos preços de matérias-primas como sucata de aço também se soma ao quadro, e o vice-presidente Motonori Nakamura afirmou que o impacto será de várias dezenas de bilhões de ienes, acima da previsão feita no início do ano. A empresa busca compensar isso com produção eficiente e revisão dos preços de venda.
Na China, a deterioração do ambiente de negócios é evidente. O CFO da Toyota Boshoku, Hiroyuki Suzuki, afirmou que a concorrência com fornecedores locais na China é intensa e que até mesmo encomendas da Toyota são difíceis de obter sem vencer a disputa. O lucro operacional dos negócios da Toyota Boshoku na China no trimestre de abril a junho caiu pela metade na comparação anual, para 2 bilhões de ienes, e a produção de bancos, seu principal produto, também ficou 20% abaixo da previsão inicial. A empresa revisou para baixo sua previsão anual, considerando que a tendência de redução da produção vai continuar. O lucro operacional dos negócios da Aisin na China também caiu quase pela metade. A JTEKT disse que pretende avançar em estudos que incluam a otimização de suas bases.
Resposta ao terremoto de Kumamoto também é acelerada
O terremoto de Kumamoto, ocorrido no dia 28, também é motivo de preocupação. A Denso informou que, até o momento, não houve impacto na produção, mas tem cerca de 30 fornecedores em Kyushu; em 1 deles o impacto foi confirmado e em 13 a verificação ainda está em andamento. O CFO Maeda disse que a empresa dará apoio total, inclusive com suporte às pessoas e à produção.
Por outro lado, a Toyota Industries, que se tornou privada em junho, vinha estudando divulgar os resultados até 31 de julho, mas a divulgação foi adiada.
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