Alta dos juros acelera revisão em seguros de vida, com resgates acima de 6 trilhões de ienes de janeiro a maio
O valor de resgate por cancelamento dos seguros de vida está aumentando.
Resgates batem recorde entre janeiro e maio
Segundo a Associação de Seguros de Vida, os valores de resgate por cancelamento das 41 seguradoras de vida domésticas somaram 6,019 trilhões de ienes entre janeiro e maio, alta de 39% sobre o mesmo período do ano anterior. Foi o maior nível para o período desde 2020, quando é possível recuar nos dados. Desde setembro de 2025, o total ficou acima de 1 trilhão de ienes por nove meses consecutivos e, se esse ritmo continuar, o período de janeiro a junho deve superar 7 trilhões de ienes, com forte chance de também marcar recorde em base semestral.
Clientes migram para fundos
O pano de fundo é a alta dos juros. As seguradoras de vida vêm elevando as taxas de juro previstas dos produtos de seguro, em resposta ao aumento dos rendimentos dos títulos públicos. Com isso, a atratividade dos contratos já existentes caiu relativamente, e os movimentos de revisão ganharam força.
Em geral, a troca para novos contratos com taxa prevista mais alta é comum, mas o valor dos novos contratos entre janeiro e maio avançou apenas 1,2% na comparação anual, para 26,9249 trilhões de ienes, bem menos do que o crescimento dos resgates. Em parte dos casos, houve até cancelamento do próprio contrato de seguro, com redirecionamento dos recursos para outros produtos financeiros, como fundos de investimento e títulos corporativos.
Uma mulher na faixa dos 50 anos, residente em Osaka, disse que cancelou um seguro de pensão individual ao qual estava vinculada havia alguns anos e investiu em títulos corporativos de uma empresa dos Estados Unidos. Ela afirmou que há risco cambial, mas que a taxa de 5% é atraente e também útil como forma de aplicar recursos para a aposentadoria.
Empresas tentam reter contratos
O seguro de vida, originalmente, tinha como foco a cobertura para doença, cuidados de longa duração e morte, entre outras eventualidades, com papel distinto dos produtos de investimento sujeitos ao risco de perda do principal. Nos últimos meses, porém, a fatia dos produtos de poupança, que também têm função de formação de patrimônio, aumentou e eles passaram a ficar mais expostos à disputa por rendimento.
Takeshi Fukuda, presidente da Financial Standard, em Tóquio, Chiyoda, observa que mais pessoas estão separando proteção e poupança, mantendo a cobertura em produtos sem resgate e a poupança em fundos de investimento. Segundo a Associação da Indústria de Gestão de Ativos, a entrada líquida de recursos em fundos de ações de oferta pública, excluindo ETFs, foi de 12,2867 trilhões de ienes entre janeiro e junho, alta de 52% ante o mesmo período do ano anterior. Com o impulso da demanda pelo novo NISA, continuou a entrada de recursos em fundos de ações em bom desempenho.
As seguradoras de vida também estão adotando medidas. A Fukoku Mutual Life Insurance vem reforçando os dividendos pagos aos segurados que contrataram antes do aumento da taxa prevista, defendendo a equidade no ônus para os contratantes. A taxa de cancelamento e caducidade caiu para 3,12% no ano fiscal de 2025, ante 3,39% no ano anterior.
A Taiyo Life Insurance vem reduzindo aos poucos a fatia de vendas de produtos voltados para balcões bancários, mais suscetíveis a entrar na disputa por rendimento, e comercializando produtos de poupança por meio do canal de agentes de vendas. O presidente da holding T&D Holdings, Masahiko Moriyama, afirmou que, como os agentes de vendas mantêm contato diário com os clientes, é menos provável que ocorram cancelamentos extremos, mais comuns em produtos de poupança.
Conter cancelamentos é uma questão central de gestão. As seguradoras de vida investem principalmente em títulos públicos de muito longo prazo, com vencimento superior a 20 anos, para se preparar para o pagamento futuro de indenizações. Se os cancelamentos aumentarem além do esperado, será necessário vender ativos e convertê-los em caixa para pagar os valores de resgate.
Com a alta dos juros, os títulos públicos de muito longo prazo seguem com perdas não realizadas abaixo do valor contábil. Se essas perdas forem realizadas na venda, o lucro será pressionado e a liberdade de gestão pode ficar mais estreita. Também há limite para elevar a taxa prevista. Isso porque existe o risco de margem negativa, quando o rendimento dos investimentos fica abaixo da taxa prevista. Nos anos 1980, o excesso de competição por rentabilidade levou algumas seguradoras de vida à falência, diante das dificuldades de investimento após o estouro da bolha.
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