Redução de 80% na oferta de terras raras cortaria o PIB do Japão em 2,3%, estima FMI
FMI estima que o impacto no Japão seria o maior
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elaborou uma estimativa segundo a qual, se a oferta de terras raras cair 80% e não houver substituição imediata, o PIB real do Japão seria reduzido em 2,3%. Entre as principais economias, seria o maior impacto.
Impacto se espalha pela indústria automotiva
O FMI analisou os efeitos econômicos de uma redução de 80% na oferta para Japão, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França e Índia. A indústria automotiva seria forçada a cortar produção em todos os países, e a taxa de redução mais alta seria a dos Estados Unidos, com 9,0%. O Japão viria em seguida, na faixa dos 8% médios, e o peso mais elevado dos custos de matérias-primas em relação aos demais países indica que o impacto da restrição de oferta seria grande. A Alemanha, onde a fatia dos custos de mão de obra é relativamente alta, registraria 5,8%, o menor nível.
Dependência da China e controle de exportações
No impacto sobre o PIB, o Japão registraria a maior queda, de 2,3%, devido ao grande peso da indústria automotiva, incluindo fabricantes de autopeças. A Alemanha, cuja indústria automotiva também é forte, teria recuo de 2,1%, enquanto Estados Unidos e Índia ficariam em torno de 1,5%, e Reino Unido e França teriam quedas na faixa inicial de 1%.
Na mais recente Perspectiva da Economia Mundial, divulgada no dia 8, o FMI previu crescimento do PIB em 2026 de 0,6% a 1,0% para Japão, Alemanha, Reino Unido e França. Aplicando-se essa projeção de forma simples, uma forte queda na oferta de terras raras levaria esses países a crescimento negativo.
Da extração ao refino das terras raras e, depois, à produção de ímãs com maior resistência ao calor, a China detém uma fatia elevada. A produção global de terras raras chega a 70% e, na produção de ímãs, os produtos chineses respondem por mais de 80% do mercado.
A China tem usado as terras raras como instrumento de coerção econômica. Na primavera de 2025, quando a guerra comercial com o governo Trump, em seu segundo mandato, se intensificou, Pequim apertou o controle das exportações e, mais recentemente, também reduziu os embarques de ímãs de terras raras destinados ao Japão, com o qual as relações esfriaram. Nas exportações de ímãs de junho, compiladas pela consultoria chinesa Tiehejin Zai xian com base em dados da Administração Geral das Alfândegas da China, os embarques para o Japão caíram 2% na comparação anual, enquanto o total global avançou 77%. Por país, os embarques cresceram 38% para os Estados Unidos e 36% para a Alemanha, e quase triplicaram para a Coreia do Sul.
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