Empresa dos EUA processa nova tarifa de Trump e pede suspensão da cobrança e reembolso
Litígio logo após a entrada em vigor
Em relação às novas medidas tarifárias lançadas pelo governo Trump dos EUA no dia 24, uma empresa americana entrou com ação no mesmo dia pedindo sua suspensão. Os autores pedem ao tribunal que ordene ao governo a suspensão da cobrança da nova tarifa e o reembolso dos valores.
Legalidade da tarifa da Seção 301 é contestada
Com base na Seção 301 da Lei de Comércio, o governo impôs tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre 60 países e regiões. Segundo a administração, trata-se de uma medida de resposta à insuficiência das ações contra o trabalho forçado e à distorção do mercado causada por produtos vendidas a preços injustamente baixos. A nova tarifa entrou em vigor às 0h01 de 24, no horário da costa leste dos EUA, e tornou-se objeto de disputa no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA antes de completar 24 horas.
Autores alegam decisão prévia
Os autores incluem uma empresa de especiarias sediada em Nova York, que deve pagar em breve menos de 14 mil dólares em novas tarifas. Na petição, afirmam que a alíquota foi definida primeiro e os motivos foram construídos depois para manter as tarifas recíprocas, consideradas inconstitucionais. Também criticam o relatório de investigação do governo dos EUA sobre trabalho forçado, dizendo que a análise por país e região é insuficiente e que o documento é 'apenas um pretexto' para as tarifas.
Reação de países e regiões
Gregory Shaffer, professor da Universidade de Georgetown, nos EUA, afirmou que a Seção 301 da Lei de Comércio autoriza explicitamente a imposição de tarifas após investigação e que a disputa judicial é mais difícil do que no caso das tarifas recíprocas. Por outro lado, avaliou que o governo transformou a medida em uma tarifa global sem restringir os países e regiões-alvo, o que ainda pode dar chance de vitória aos autores.
No caso da Seção 301, houve também ações judiciais quando o primeiro governo Trump impôs tarifas contra a China em 2018 e 2019. O ponto central foi se o Escritório do Representante Comercial dos EUA poderia ampliar ilimitadamente os alvos da cobrança, e a derrota dos autores foi confirmada na Suprema Corte em junho deste ano. Austrália, Brasil e outros também reagiram à medida, dizendo que ela é arbitrária e não pode ser justificada. Em coletiva após a reunião de gabinete do dia 24, o ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ryosei Akazawa, afirmou que é lamentável impor tarifas ao Japão com base na ausência de medidas de proibição de importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
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