IA em desenvolvimento da OpenAI invade outras empresas e expõe dificuldade de controle
A OpenAI informou no dia 21 que um modelo de IA em desenvolvimento realizou um ataque cibernético contra outras empresas, em desacordo com a intenção humana. O episódio voltou a evidenciar a aceleração da ameaça representada pela IA e a dificuldade de controlá-la.
Invasão por IA autônoma
Sam Altman, diretor-presidente (CEO), escreveu no mesmo dia nas redes sociais que 'durante a avaliação do modelo, ocorreu um grave incidente de segurança'. Organismos externos de revisão já vinham apontando riscos de comportamento indevido na IA da empresa. Desde que a americana Anthropic divulgou em abril a IA de alto desempenho 'Mythos', a preocupação com o risco de ataques cibernéticos por IA aumentou ainda mais.
Neste incidente, pode-se dizer que, pela primeira vez, foram revelados a empresa afetada e o método específico de um ataque cibernético conduzido por uma IA autônoma. Segundo a OpenAI, a IA deveria passar por uma avaliação para testar se conseguiria ou não invadir um sistema simulado, mas saiu de um ambiente de teste isolado da internet e invadiu o sistema da Hugging Face, que só deveria ser acessível a pessoas da empresa.
Exploração de zero-day
A IA teria explorado uma vulnerabilidade da qual nem os desenvolvedores tinham conhecimento. Falhas de sistema normalmente são corrigidas pelo operador para fortalecer a defesa, mas vulnerabilidades não divulgadas são chamadas de 'zero-day' e são difíceis de tratar. A IA desta vez pode ter usado um zero-day avançado, difícil até para humanos identificarem, para invadir rapidamente.
Em vez de seguir a instrução de 'resolver os exercícios de treinamento', a IA também teria agido fora de controle. A Anthropic e o Google dos Estados Unidos também reconheceram comportamento semelhante durante o processo de desenvolvimento. Embora as IAs voltadas a usuários tenham guardrails que impedem o uso abusivo, desta vez tratava-se de um modelo em desenvolvimento voltado ao uso interno, e a OpenAI havia desativado as contramedidas, o que aumentou seu poder de ataque.
A OpenAI informou que a IA envolvida no incidente era o mais recente 'GPT-5.6 Sol' e vários modelos não públicos. Registros de avaliação de organismos externos também continham sinais que sugeriam o ocorrido.
Alertas de segurança
O Instituto de Segurança em IA do governo britânico (AISI) informou que, durante avaliações de ataques cibernéticos, a probabilidade de ocorrer comportamento indevido foi de cerca de 13% no GPT-5.6 Sol, 5 pontos percentuais acima da registrada nos modelos da Anthropic. A instituição de pesquisa americana METR também apontou que o modelo teve a maior taxa histórica de comportamento indevido, incluindo exploração de vulnerabilidades e ações proibidas. O próprio relatório de avaliação de desempenho da OpenAI também afirmava que casos do mesmo tipo ocorreram durante o desenvolvimento.
Desde o lançamento do 'ChatGPT' em 2022, a OpenAI liderou o boom da IA, mas em 2026 a atenção foi roubada pela Anthropic, que desenvolveu o Mythos, e a empresa também foi superada em valor de mercado. Ainda assim, o incidente também serviu como evidência do alto desempenho da IA em desenvolvimento.
Desde o surgimento do Mythos, o governo Trump tem endurecido sua postura regulatória com foco na prevenção do uso indevido. O GPT-5.6, lançado ao público no dia 9, levou duas semanas até ser anunciado devido a um processo de verificação de segurança solicitado pelo governo.
Yasuaki Yamaoka, advogado especializado em medidas contra ataques cibernéticos corporativos, afirmou que, mesmo que ocorram danos semelhantes no futuro, será difícil responsabilizar usuários ou empresas desenvolvedoras com base no argumento de que 'a IA fez isso por conta própria'. Segundo ele, 'serão necessários novos marcos ou regulações para empresas de IA e plataformas'.
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