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Iene e won enfraquecem com diferencial de juros e saída de capitais

Iene e won enfraquecem, com diferencial de juros e saída de capitais sob pressão

O iene e o won sul-coreano estão fracos. Além da valorização do dólar diante das expectativas de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed), ambas as moedas enfrentam fatores estruturais comuns de pressão baixista.

Fatores da desvalorização no Japão e na Coreia do Sul

O won negocia na faixa de 1.500 por dólar, perto da mínima de cerca de 17 anos desde 2009. O iene também está em torno de 162 e meio por dólar, no menor nível em cerca de 39 anos e meio. No acumulado de 2026 até agora, o won cai 4% frente ao dólar e o iene 3%.

Na Coreia do Sul, as exportações de semicondutores e memórias avançaram apoiadas no boom da inteligência artificial (IA), e, segundo o Ministério do Comércio, Indústria e Energia, o superávit comercial de junho atingiu cerca de 36,1 bilhões de dólares (cerca de 5,8 trilhões de ienes), renovando o recorde. Ainda assim, por que o won continua com pouca demanda?

O professor Katsuyuki Hasegawa, da Tokyo Woman's Christian University, aponta uma 'desvalorização estrutural' comum ao Japão e à Coreia do Sul. Ele afirma que três fatores - o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos, a saída de capital doméstico para o exterior e a dificuldade de o dinheiro em moeda estrangeira retornar ao país - continuam exercendo pressão vendedora sobre o iene e o won.

Expectativa de estreitamento do diferencial recua

O Banco da Coreia indicou várias altas de juros em sua projeção para a taxa básica de política monetária para os seis meses seguintes, divulgada na reunião do Comitê de Política Monetária e Financeira de 28 de maio. O Banco do Japão também elevou os juros na reunião de política monetária de junho.

No entanto, o Fed sinalizou, na reunião de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), uma visão inclinada para nova alta de juros ainda neste ano. No 'FedWatch', que projeta a taxa básica a partir dos futuros de juros americanos, o mercado precifica atualmente cerca de 80% de probabilidade de alta ainda em 2026. A visão de que o diferencial de juros com os Estados Unidos vai diminuir perdeu força.

A saída de capital doméstico para o exterior também continua. Na Coreia do Sul, além dos investimentos externos do Serviço Nacional de Pensões (NPS), o boom de investimentos de investidores individuais em ações dos EUA tem estimulado a saída de capitais. No Japão, os investimentos em ativos estrangeiros via NISA também geram demanda real por venda de ienes.

Repatriação fraca e alta das ações

A dificuldade de repatriar para o país a moeda estrangeira obtida por empresas de semicondutores também pesa sobre as divisas. Segundo o Financial Times, empresas como Samsung Electronics e SK Hynix vêm reforçando a tendência de não trazer para a Coreia os lucros de operações no exterior, mantendo-os em dólares americanos.

O economista-chefe Tetsu Nishihama, do Dai-ichi Life Asset Management Economic Research Institute, diz que, com o enfraquecimento das perspectivas de mercado devido ao declínio populacional na Coreia do Sul, 'muitas empresas evitam converter para won, julgando que investir nos Estados Unidos e em outros lugares gera mais lucro corporativo'. Shota Akimoto, economista sênior da Okasan Securities, também aponta que, se a economia global encolher e a demanda cair, a conta corrente tende a entrar em déficit com mais facilidade.

A alta das ações também se tornou fator de desvalorização cambial. O analista de câmbio Ying Guo, da Nomura Securities, avalia que a disparada das ações sul-coreanas aumentou o peso desses ativos nas carteiras de investidores estrangeiros, exigindo vendas para evitar concentração excessiva. Segundo a Financial Supervisory Service da Coreia do Sul, as vendas líquidas de ações sul-coreanas por estrangeiros superaram 100 trilhões de won (cerca de 11 trilhões de ienes) até maio de 2026, renovando o recorde.

Resposta das autoridades e postura de política

As autoridades do Japão e da Coreia do Sul vêm intervindo no câmbio para comprar suas moedas em resposta à desvalorização. Mesmo assim, a medida ainda não foi suficiente para mudar a direção do mercado.

No mercado, cresce a avaliação de que os dois países devem avançar em novas defesas de suas moedas. A Reuters e outros veículos relataram no dia 2 que um responsável cambial sul-coreano disse estar trabalhando em estreita coordenação com o Japão e outros países envolvidos para estabilizar o câmbio. O pesquisador sênior Masashi Hashimoto, do Instituto de Estudos Monetários Internacionais, vê a intervenção coordenada como um possível gatilho para reverter a desvalorização, inclusive pelo efeito de comunicação, se ganhar escala.

Akimoto, da Okasan Securities, avalia que, enquanto os fatores estruturais não forem resolvidos, a tendência de venda do iene e do won dificilmente se inverterá.

Por outro lado, no médio e longo prazo, a diferença na postura dos governos em relação aos bancos centrais dos dois países pode também definir o rumo. No Japão, o rascunho das 'Diretrizes Básicas para a Gestão Econômica e Fiscal e a Reforma' divulgado no fim de junho classificou a 'condução apropriada da política monetária' pelo Banco do Japão como 'muito importante'. Surgiu no mercado o receio de que o governo Sanae Takaichi contenha novas altas de juros pelo banco central.

Em contraste, o governo sul-coreano não fez comentários sobre a política monetária do Banco da Coreia, e sua postura favorável a aumentos de juros permanece inalterada. Também há a visão de que a Coreia do Sul tem mais espaço para política monetária.

O governador do Banco da Coreia, Shin Hyun-song, disse no dia 9 que, para a condução da política monetária à frente, considera necessário elevar a taxa básica em um momento adequado. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária e Financeira está marcada para o dia 16.

Após a divulgação do rascunho, o governo japonês passou a ajustar a redação das Diretrizes Básicas, mas a cautela no mercado permanece. O economista sênior de mercado Takahiro Hori, do Mizuho Bank, afirma que, enquanto persistir a percepção de que o governo Takaichi é contrário a novas altas de juros pelo Banco do Japão, o iene pode seguir enfraquecido frente ao won, com base na independência do banco central.

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