Lançamento de SLBM em alto-mar no Pacífico mostra dissuasão chinesa contra os EUA
O Exército de Libertação Popular da China lançou no dia 6 um míssil balístico lançado por submarino (SLBM) em direção ao alto-mar do Pacífico. A ação buscou mostrar a capacidade de alcançar o território continental dos EUA e exibir a disposição de enfrentar o governo Trump com القوة militar. A ampliação das atividades militares chinesas no Pacífico afeta diretamente a segurança do Japão.
O jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista Chinês, informou que o lançamento também teve o sentido de reafirmar a determinação da China de reunificar Taiwan. O veículo enfatizou: 'Não se deve interpretar mal a vontade da China de alcançar a reunificação completa'.
SLBM para conter o território continental dos EUA
No alvo está o governo Trump, que apoia Taiwan por meio da venda de armas, entre outras medidas. Após o míssil balístico intercontinental (ICBM) de setembro de 2024, a China voltou a mostrar à comunidade internacional sua capacidade de atingir o território continental dos EUA tanto por terra quanto por mar, sugerindo a intenção de dissuadir uma eventual intervenção americana em Taiwan.
O Global Times informou que, sobre o míssil lançado no dia 6, analistas militares avaliaram ser provável que se tratasse do novo 'Julang (JL)-3', apresentado pela primeira vez pelo Exército chinês em setembro de 2025. Seu alcance seria superior a 10 mil quilômetros, e acredita-se que ele possa atingir grande parte do território continental dos EUA mesmo sendo lançado do mar da China Meridional, entre outras áreas.
O SLBM mais antigo, o 'JL2', tem alcance de cerca de 7.200 quilômetros e, a partir de águas próximas à China, poderia não alcançar o território continental dos EUA. Em setembro de 2024, o Exército chinês também lançou um ICBM do solo para o alto-mar do Pacífico, identificado por muitos como o 'Dongfeng 31', que teria alcance para atingir a maior parte do território continental americano.
O presidente Xi Jinping (Xi Jinping) deverá visitar os EUA em setembro, a convite do presidente Trump. Se Trump decidir vender armas a Taiwan antes ou depois da visita, isso também afetará o prestígio de Xi. Do lado chinês, havia a necessidade de conter os EUA em torno da questão de Taiwan.
Notificação ao Japão 90 minutos antes
Em coletiva de imprensa no dia 6, o secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara, afirmou que 'a dinâmica militar da China, somada à falta de transparência, tornou-se uma grave preocupação para o Japão e para a comunidade internacional'.
A Embaixada do Japão na China recebeu a notificação do Ministério da Defesa chinês cerca de uma hora e meia antes do lançamento. Segundo um alto funcionário do governo japonês, a China indicou, na fase de notificação prévia, várias áreas-alvo de voo, e uma delas poderia ter caído na ZEE japonesa.
Esse funcionário explicou que, 'se o disparo fosse feito em um local mais próximo do Japão, ele teria de passar sobre Kyushu', e afirmou ser provável que a rota atual tenha sido escolhida para evitar atritos com o Japão.
Pressão sobre o Japão aumenta
Países do Pacífico também ficaram em alerta com o lançamento. Austrália e Nova Zelândia (NZ) haviam sido notificadas pela China. Segundo o chanceler da NZ, Peters, o míssil seguiu para o Pacífico Sul. O dia 6 também marcou a assinatura, por Austrália e Fiji, de um tratado de defesa mútua que estabelece resposta conjunta em caso de ataque de um terceiro país.
A China posiciona seus submarinos nucleares, capazes de permanecer longos períodos submersos, e seus SLBMs de longo alcance como armas estratégicas para impedir a aproximação das forças dos EUA à Ásia. Tomando como linha de base da defesa em águas próximas a 'Primeira Cadeia de Ilhas', que se estende de Okinawa a Taiwan e às Filipinas, o país também tem ampliado nos últimos anos suas atividades além da 'Segunda Cadeia de Ilhas', que liga as ilhas Ogasawara ao território americano de Guam, reforçando sua capacidade operacional em alto-mar.
A ampliação da influência militar da China no Pacífico representa uma ameaça clara para o Japão. O lançamento do míssil ocorreu em meio ao endurecimento da pressão sobre o país.
As relações entre Japão e China vêm se deteriorando desde novembro de 2025, quando a primeira-ministra Sanae Takaichi respondeu no Parlamento, sobre uma emergência em torno de Taiwan, que a situação 'poderia configurar uma situação de ameaça à sobrevivência'. A China vem acusando o governo Takaichi de 'novo militarismo' e repetindo provocações ao Japão.
No momento, a China atua em coordenação com a Rússia, intensificando a intimidação com poder naval e aéreo. Em 27 de junho, as forças aéreas sino-russas realizaram um voo conjunto de bombardeiros e outras aeronaves sobre o Mar do Japão, o Mar da China Oriental e o Pacífico. Foi a primeira vez desde dezembro de 2025.
Estagnação diplomática facilita escalada
Há também a leitura de que a China elevou o grau de provocação após o acordo com Japão e Filipinas para iniciar negociações sobre a delimitação de suas ZEE.
Não há sinais de um caminho de diálogo para melhorar as relações entre Japão e China. A comunicação, inclusive por meio de canais parlamentares, é insuficiente, e a situação está propensa a se agravar.
O professor Makoto Kawashima, da Universidade de Tóquio, vê a possibilidade de a China intensificar ainda mais as provocações daqui para a frente. Em referência aos EUA, que fortalecem sua capacidade de responder à China ao mesmo tempo em que administram a competição bilateral, afirmou que 'o Japão deve normalizar as relações até o ponto em que líderes e ministros possam interagir entre si'.
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