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Rascunho fiscal pressiona títulos; rendimento da nota de 10 anos fica na faixa de 2,8%

Pressão vendedora sobre títulos japoneses com rascunho fiscal, rendimento da nota de 10 anos na faixa de 2,8%

Rascunho fiscal pressiona títulos

O mercado de títulos do Japão está em turbulência. O rendimento dos títulos de longo prazo mira a marca de 3%, e, após o rascunho da diretriz básica de gestão econômica e fiscal e reforma, o mercado amplia a cautela com o governo Sanae Takaichi, que tende a uma política fiscal expansionista.

Takatoshi Inadome, estrategista sênior da Sumitomo Mitsui Trust Asset Management, afirma: 'Pode-se dizer que foi um choque da diretriz básica. A deterioração fiscal e o risco de o Banco do Japão ficar para trás no aumento de juros se fortaleceram ao mesmo tempo'.

Fatores por trás da alta dos juros

No mercado doméstico de títulos em 3 de julho, o rendimento da nova nota do Tesouro de 10 anos, referência para os juros de longo prazo, subiu momentaneamente até 2,810%, o maior nível desde outubro de 1996. Há 30 anos, a política monetária ainda seguia em afrouxamento, mas no ano seguinte ocorreram sucessivas quebras do Hokkaido Takushoku Bank e da Yamaichi Securities, ampliando a crise financeira.

Na véspera, os dados de emprego dos EUA de junho vieram abaixo da expectativa do mercado, reduzindo as apostas em alta de juros nos EUA, e o mercado de títulos americano daquele dia exerceu pressão de baixa sobre os rendimentos. Em circunstâncias normais, o mercado japonês em 3 de julho teria seguido esse movimento, e os juros tenderiam a cair.

Mesmo assim, os juros subiram acentuadamente porque passou a pesar a preocupação com as finanças públicas, um fator específico do Japão. O gatilho foi o rascunho da diretriz básica de 2026, divulgado em 30 de junho. Pela redação, os participantes do mercado encontraram motivos para vender títulos do governo.

Olhar sobre as finanças e o Banco do Japão

No campo fiscal, o documento prevê gastos públicos adicionais de 10 trilhões de ienes por ano a partir do ano fiscal de 2027, em termos reais, mas removeu a expressão 'consolidação fiscal', que constava até 2025. Masahiro Suemasa, analista de finanças públicas da SMBC Nikko Securities, disse que 'enquanto se contemplam cortes no imposto sobre consumo e aumento dos gastos de defesa, o problema da fonte de recursos está sendo empurrado para frente'.

Havia também expressões interpretadas como um pedido ao Banco do Japão. O rascunho afirma que a condução adequada da política monetária é 'extremamente importante' e, com base na Lei do Banco do Japão, pede coordenação estreita com o governo. No mercado, viu-se nisso a intenção de voltar a estimular cautela em relação a novos aumentos de juros, que sob um governo de linha fiscal expansionista podem elevar os custos de serviço da dívida e também se tornar um fator de pressão sobre a economia.

O mercado teme que a pressão do governo atrase os aumentos de juros do Banco do Japão. A taxa de inflação implícita de equilíbrio de 10 anos (BEI), que reflete as perspectivas de inflação do Japão, havia caído com a fraqueza do petróleo, mas se reverteu e voltou à faixa de 2%. Títulos são vulneráveis à inflação e, se a alta dos preços se intensificar daqui em diante, a venda tende a aumentar.

Ao analisar a composição da alta dos juros, a cautela do mercado diante da diretriz básica fica ainda mais clara. Em geral, os juros de longo prazo podem ser decompostos em perspectiva futura dos juros de curto prazo e no prêmio de prazo, o adicional exigido conforme o período de detenção.

Segundo estimativa de Shotaro Kugo, pesquisador sênior do Instituto de Economia Monetária Internacional, a alta recente pode ser explicada quase inteiramente pelo prêmio de prazo. Refletindo preocupações com finanças públicas e inflação, ele subiu para cerca de 1,7% em 2 de julho, o maior nível em 20 anos, enquanto as perspectivas para os juros de curto prazo futuros permanecem praticamente estáveis.

Oferta, demanda e perspectivas

Dentro do Banco do Japão, há quem diga que 'nada mudou no compromisso de decidir a política monetária com responsabilidade, observando a situação econômica e de preços' (dirigente). O fato de o sentimento das grandes empresas manufatureiras ter melhorado por cinco trimestres consecutivos no levantamento Tankan de junho, divulgado em 1º de julho, também reforça a linha de aumento de juros.

As preocupações fiscais devem continuar até o fim do ano, quando a elaboração do orçamento do ano fiscal de 2027 ganhar forma. A visão sobre os juros também pode ser elevada na mesma direção. Takafumi Yamawaki, chefe de pesquisa de títulos da JPMorgan Securities, avalia que 'a fase de alta dos juros pode se prolongar de forma arrastada, e pode não aparecer comprador mesmo com os juros em 3%'.

A demanda por títulos do governo segue fraca. O leilão de títulos de 10 anos realizado pelo Ministério das Finanças em 2 de julho foi morno, sem atrair compras suficientes de investidores. Também houve vendas de títulos de prazo ultralongo, acima de 10 anos até o vencimento e mais sensíveis ao risco fiscal, e o rendimento dos títulos de 30 anos superou 4% pela primeira vez em um mês e meio.

O governo não está ignorando a situação. Em entrevista após a reunião do gabinete em 3 de julho, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, disse sobre a alta dos juros de longo prazo que o governo vai 'avaliar o volume apropriado de emissão de títulos e a escala fiscal, preservando a confiança no mercado de títulos e a sustentabilidade fiscal'. Os juros de longo prazo em 3 de julho fecharam em 2,785%, abaixo do dia anterior.

Kugo afirma que, para conter a alta dos juros, 'no longo prazo, é importante manter uma diretriz que assegure o equilíbrio entre gastos e fontes de recursos'. Se o aumento de juros do Banco do Japão ficar atrás da alta dos preços, no futuro poderá ser forçado a promover elevações ainda maiores. Participantes do mercado veem também como indispensável para a estabilidade do mercado de títulos o governo aceitar a trajetória de alta de juros do Banco do Japão.

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