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EUA e Irã continuam conversas na Suíça; foco é nuclear e estreito de Hormuz

EUA e Irã mantêm conversas na Suíça para encerrar combates; foco é nuclear e estreito

Questões em discussão

Estados Unidos e Irã realizaram em 21 de junho, em Bürgenstock, no centro da Suíça, conversas para encerrar os combates. Segundo o lado americano, as discussões continuaram noite adentro até a madrugada de 22 de junho.

O vice-presidente Vance, que lidera a delegação dos EUA, chegou à Suíça na manhã de 21 de junho e acredita-se que tenha permanecido no hotel onde ocorrem as reuniões até a madrugada de 22 de junho. O lado americano afirma que os principais temas são a manutenção da plena abertura do estreito de Hormuz, o cessar-fogo no Líbano e a questão nuclear do Irã.

Esta é a primeira vez que conversas de alto nível são realizadas após a assinatura do memorando em 17 de junho. Representantes do Catar e do Paquistão, que atuam como mediadores, também participaram, e, como negociações oficiais entre EUA e Irã, trata-se da primeira rodada em cerca de dois meses desde as conversas para encerrar os combates realizadas uma vez no Paquistão em abril. Além de Vance, participaram pelo lado americano o enviado especial para o Oriente Médio, Witkoff, e Kushner, genro do presidente dos EUA, Trump. Pelo lado iraniano, compareceram o presidente do Parlamento, Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Araghchi.

Conversas a quatro podem ter sido interrompidas

O Irã não suavizou sua postura dura durante as conversas. Nas negociações entre quatro países, com Paquistão e Catar, realizadas à tarde, a delegação iraniana não participou das declarações de abertura.

O ministro das Relações Exteriores Araghchi cumprimentou o primeiro-ministro do Paquistão, Sharif, no local, e depois se retirou uma vez. Em seguida, Vance, Sharif e o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Mohammed, realizaram conversas a três, e a parte iraniana entrou na sala após a saída dos jornalistas.

Na mesma faixa horária em que começaram as conversas entre EUA e Irã, Trump escreveu nas redes sociais pressionando o Irã a conter a organização pró-Irã Hezbollah na frente do Líbano. Ele advertiu que, se o Hezbollah não for detido, irá 'atacar o Irã novamente de forma muito severa'. Em resposta, a agência Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, informou que a reunião, que durou 80 minutos, foi interrompida. A emissora em inglês Press TV disse que a delegação iraniana protestou contra a publicação de Trump e está avaliando a resposta.

Por outro lado, o governo dos EUA afirmou ainda na madrugada de 22 de junho que 'a delegação iraniana está no local das negociações' e enfatizou que as conversas continuam em andamento.

Conversa de 60 dias com base no memorando

As conversas atuais se baseiam no memorando assinado remotamente em 17 de junho por Trump e pelo presidente iraniano, Pezeshkian. O objetivo é chegar a um acordo final em até 60 dias, mas a distância entre as posições de ambos é grande e as negociações devem ser difíceis.

Antes das conversas, Vance disse a jornalistas que, se o Irã abrir mão do desenvolvimento de armas nucleares, 'os EUA estão prontos para transformar radicalmente a relação com o Irã'. Ele afirmou que pretende avançar na criação de confiança e intensificar as discussões sobre a questão nuclear.

Antes das conversas a quatro, também houve uma reunião a três entre Estados Unidos, Irã e Catar. A emissora estatal iraniana informou que a reunião tratou do cessar-fogo no Líbano e da liberação de ativos congelados do Irã. O Catar detém parte dos ativos congelados do Irã.

Pressão em torno do estreito de Hormuz

A reunião de 21 de junho ocorreu enquanto continuavam os ataques e contra-ataques entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Antes mesmo de entrar na questão nuclear, prossegue uma disputa de nervos em toda a frente.

O memorando inclui o fim dos combates em todas as frentes, incluindo o Líbano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Baghaei, publicou em 21 de junho nas redes sociais que 'sem a implementação do primeiro item, é impossível avançar para a fase de negociações rumo a um acordo final'.

O comando central das Forças Armadas do Irã declarou em 20 de junho que, à luz da situação no Líbano, voltaria a fechar o estreito de Hormuz. A agência Fars, próxima à Guarda Revolucionária, também afirmou em 21 de junho, nas redes sociais, que 'o estreito de Hormuz continua fechado', sinalizando a intenção de interromper novamente o tráfego no estreito e aumentar a pressão sobre os EUA.

Em entrevista à Fox News em 21 de junho, Trump criticou a declaração iraniana de novo bloqueio. Ele disse que 'podemos assumir o controle do estreito de Hormuz, se necessário' e sugeriu que, se não houver acordo, os EUA poderão administrar a rota marítima e cobrar taxas de passagem.

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