Petróleo cai com expectativa de acordo EUA-Irã; ações e títulos sobem nos EUA
Com a notícia de que os Estados Unidos e o Irã concordaram em trocar um memorando rumo ao fim dos combates, o apetite por risco aumentou no mercado financeiro dos EUA em 15. A média industrial Dow Jones chegou a subir mais de 700 dólares e, em dado momento, renovou a máxima histórica.
Compra em petróleo e títulos, venda em ambos os mercados
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em sua rede social, no dia 14, que havia concordado com o fim dos combates com o Irã. Ele disse que um acordo formal seria assinado no dia 19 e que o Estreito de Ormuz, ponto crucial para o transporte de energia, seria reaberto.
Em resposta, os preços do petróleo despencaram. O contrato futuro mais próximo do WTI (West Texas Intermediate), referência internacional, caiu mais de 6% ante o fechamento da semana anterior e, em um momento, ficou abaixo do patamar de 80 dólares por barril. Foi o nível mais baixo em cerca de três meses, desde 10 de março.
Com o recuo das preocupações com a inflação, os rendimentos dos títulos do governo dos EUA caíram em vários vencimentos no mercado de títulos. O rendimento dos Treasuries de 10 anos, referência para os juros de longo prazo, recuou para a faixa de 4,4% e, em dado momento, atingiu o menor nível em um mês.
As ações avançam de forma disseminada
No mercado acionário, o apetite ao risco dos investidores aumentou e o Dow Jones avançou pelo terceiro dia seguido. O índice S&P 500 subiu 2% e o Nasdaq Composite chegou a avançar 3%.
O VIX, que indica a volatilidade esperada das ações dos EUA, despencou para a faixa de 16, bem abaixo de 20, nível que sinaliza maior cautela. Ulrike Hoffmann-Burchardi, CIO para as Américas e chefe global de ações do UBS, disse que, se o acordo for mantido, a atenção dos investidores se voltará mais para o crescimento econômico firme e os lucros corporativos, o que tende a sustentar os mercados acionários globais.
O Philadelphia Semiconductor Index (SOX) subiu 5% no dia 15 e, em um momento, superou pela primeira vez em cerca de duas semanas a máxima registrada no dia 3. As ações ligadas a semicondutores vêm liderando o mercado acionário dos EUA desde abril, impulsionadas pela demanda para inteligência artificial (IA), mas, ao entrar junho, passaram a oscilar de forma mais acentuada diante de alertas sobre excesso de entusiasmo. Em relação à mínima recente do dia 10, o índice acumula alta de 16%, deixando mais clara a tendência de recuperação.
Matthew Murray, da Miller Tabak, nos EUA, afirmou que a continuidade da alta das ações de semicondutores seria um fator positivo para o mercado como um todo. Entre os papéis individuais, a Micron Technology chegou a subir 10%, a Advanced Micro Devices (AMD) avançou 9% e a Nvidia ganhou 4%, com altas expressivas em cada caso.
IPO da SpaceX também ajuda
Também sustentou o sentimento do mercado o bom início das ações da SpaceX, que no dia 12, fim da semana anterior, realizou a maior oferta pública inicial (IPO) da história em volume de captação. Após subir 19% em relação ao preço da oferta no primeiro dia, os papéis chegaram a avançar até 17% no dia 15.
Elon Musk, que lidera a empresa, publicou no dia 14 no X, antigo Twitter, que a receita da SpaceX poderia chegar a cerca de 1 trilhão de dólares em 2030. A projeção otimista, muito acima dos 18,7 bilhões de dólares registrados em 2025, foi vista como fator de compra.
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