Negociações entre EUA e Irã enfrentam dificuldades após ataque de Netanyahu ao Líbano
A decisão de Netanyahu está abalando as negociações entre os Estados Unidos e o Irã. O lado iraniano suspendeu o contato com os Estados Unidos devido aos ataques de Israel ao Líbano.
Trump pressiona
Segundo o site de notícias americano Axios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repreendeu Netanyahu em tom duro durante uma conversa telefônica no dia 1. Ele o teria insultado, dizendo 'Você está louco!' e 'O que diabos você está fazendo?'. Netanyahu havia ordenado no mesmo dia, antes da conversa, um ataque a uma área nos arredores da capital libanesa, Beirute. O alvo era uma região onde se concentra a função de comando do Hezbollah.
Trump pediu que o ataque a Beirute fosse cancelado. A agência Tasnim, do Irã, informou no dia 1 que, em resposta ao ataque israelense ao Líbano, o país interrompeu o contato com os Estados Unidos por meio de um país mediador. Até agora, o Irã vinha exigindo um cessar-fogo em toda a região, incluindo o Líbano, como condição para encerrar a guerra com os Estados Unidos.
Futuro das negociações de cessar-fogo
Trump tem apoiado Netanyahu até agora e o defendeu, inclusive pedindo clemência em relação às acusações de corrupção envolvendo o premiê israelense. Segundo o Axios, Trump afirmou: 'Eu te salvei' e disse que Netanyahu era ingrato.
As forças israelenses aparentemente evitaram o ataque a Beirute. No dia 1, Trump afirmou ter conversado também com líderes do Hezbollah e explicou que ambos os lados concordaram em interromper os ataques.
No mesmo dia, Trump disse à ABC News, dos Estados Unidos, que pretende fechar um acordo com o Irã 'dentro da próxima semana'. Ele busca acelerar a abertura do Estreito de Ormuz, um ponto vital para o transporte de energia, mas é incerto se um acordo de fato poderá ser alcançado.
Israel cita a falta de avanço no desarmamento do Hezbollah como motivo para continuar a operação militar. O governo libanês pretende avançar com a resposta, mas a expectativa é de que isso leve tempo, e Israel pretende conter o Hezbollah pela força militar.
A política interna também pesa
O Hezbollah continua a atacar Israel com drones e outros meios, representando uma ameaça iminente, sobretudo para os moradores perto da fronteira com o Líbano. Dentro de Israel, também há muitas vozes a favor da continuidade da operação militar, e o ceticismo em relação a um acordo entre EUA e Irã é forte.
Em uma pesquisa de opinião realizada pelo Instituto de Democracia de Israel de 9 a 12 de abril, 69% responderam negativamente à pergunta se achavam que a segurança de Israel seria levada em consideração em um acordo entre EUA e Irã.
Netanyahu também tem o objetivo de recuperar apoio com resultados militares no Líbano e no Irã. Israel pretende realizar uma eleição geral até outubro, e a popularidade de Netanyahu tem permanecido baixa em meio a temas como a 'reforma do sistema judiciário', que enfraquece o poder dos tribunais. Ele também é responsabilizado por não ter impedido o ataque surpresa lançado pelo grupo islâmico Hamas em outubro de 2023 e busca uma recuperação política.
Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo em meados de abril, mas, mesmo após Netanyahu ter cedido à pressão dos Estados Unidos, os combates continuaram e o cessar-fogo tornou-se, na prática, letra morta. O número de mortos no Líbano ultrapassou 3.000 desde março.
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