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Ataques com drones ajudam Ucrânia a recuperar a iniciativa na frente

Ucrânia busca recuperar a iniciativa na frente com drones

A Ucrânia vem recuperando a iniciativa em parte da frente de combate. Com drones de médio alcance, o país tem atacado centros de abastecimento em território russo e causado impacto na linha logística. O avanço das forças russas desacelerou, e o aumento das perdas humanas, somado a isso, fez com que a grande ofensiva da primavera terminasse, na prática, em fracasso.

Mudança no campo de batalha

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou no dia 22 que a Ucrânia liberou cerca de 590 quilômetros quadrados de território desde o início do ano. Desde abril, o país retomou várias localidades na região de Zaporizhzhia, no sul, e também empurrou as tropas russas para fora do centro de Kupiansk, ponto estratégico na região de Kharkiv, no leste.

Em análise publicada no dia 20, o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), think tank dos Estados Unidos, observou que a Ucrânia alcançou seu maior resultado desde os ataques transfronteiriços à região russa de Kursk em 2024. Segundo o instituto, as forças russas recuaram em algumas áreas, e o território ocupado teve queda líquida em abril.

Desde o início da invasão, as forças russas vêm ampliando o território ocupado entre a primavera e o início do verão, período em que as unidades de infantaria conseguem se deslocar com mais facilidade. Neste ano, também partiram para uma grande ofensiva a partir de março, mas o ritmo de avanço foi mais lento que o habitual. De acordo com o grupo DeepState, que analisa informações públicas, as áreas recém-ocupadas pelas forças russas entre janeiro e abril de 2026 somaram cerca de 670 quilômetros quadrados, queda de 25% na comparação anual.

Pressão sobre capacidade de ataque e suprimentos

Embora continuem a ofensiva em locais como Konstantinivka, na região de Donetsk, no leste, não conseguiram romper as defesas. O ministro da Defesa da Ucrânia, Fedrov, afirmou que o avanço russo na linha de frente foi significativamente desacelerado e que a Ucrânia vem recuperando a iniciativa.

O comandante-em-chefe Syrsky anunciou no dia 18 que, em número de ataques, as forças ucranianas superaram as russas, algo que, segundo ele, ocorreu pela primeira vez desde o início da invasão.

Há três fatores principais por trás da contraofensiva ucraniana. O primeiro é a melhora no desempenho dos drones de médio alcance. A Ucrânia estruturou produção doméstica em escala de aeronaves baratas e reduziu a dependência do sistema de lançamento múltiplo de foguetes de alta mobilidade HIMARS, fabricado nos Estados Unidos. Ataques diários contra refinarias, infraestrutura ferroviária e depósitos de munição no território russo, a centenas de quilômetros da fronteira, têm forçado as forças russas a deslocar centros logísticos para a retaguarda.

No dia 18, Fedrov também afirmou que a Ucrânia conseguiu desenvolver bombas planadoras guiadas de alto poder e pretende colocá-las em uso em combate. A iniciativa busca contrabalançar as bombas planadoras de várias centenas de quilos usadas pela Rússia e reforçar a capacidade de atingir alvos na retaguarda.

Desgaste se aprofunda nas forças russas

Na frente de combate, a área de 'kill zone' vem se expandindo, ampliando o desgaste das forças russas. O termo se refere a regiões em que tropas inimigas avançando são atacadas de forma concentrada sob vigilância constante de drones. O especialista militar ucraniano Dmytro Zimailo explicou que a kill zone na linha de defesa se ampliou para 20 a 40 quilômetros e avalia que a taxa de perdas entre soldados russos supera 90%.

A Rússia também enfrenta dificuldades na reposição de pessoal. Em abril, o número de mortos e feridos teria superado o de novos soldados contratados. A falta de comunicações na linha de frente também tem pressionado as forças russas.

A SpaceX, dos Estados Unidos, cortou em fevereiro o uso da comunicação por satélite Starlink pelas forças russas, após pedido da Ucrânia. A Rússia vinha usando drones equipados com terminais Starlink, mas não conseguiu garantir uma alternativa, e há grande probabilidade de que isso esteja prejudicando operações como as de ataque com drones.

O ISW avaliou que as perspectivas de a Rússia ocupar todo o território da região de Donetsk diminuíram. Segundo o instituto, diante de restrições de efetivo e recursos, Moscou é forçada a escolher entre continuar os ataques em Donetsk ou redirecionar esforços para responder à contraofensiva ucraniana em áreas do sul e de outros pontos.

Mesmo assim, a escassez de tropas na Ucrânia também é grave, e uma retomada territorial em larga escala parece difícil de prever. Com o impasse na linha de frente se prolongando, ainda existe o cenário de que as forças russas ataquem áreas com defesa mais fraca. A Rússia concentrou tropas perto da fronteira nas regiões de Sumy e Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, e Kiev vem reforçando a vigilância diante da possibilidade de uma nova ofensiva.

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